Boletim

Permanência

2005        2006

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ABRIL 2007

ATUALIZAÇÕES:

Site da Capela - Sermão de São Leão Magno sobre a Paixão de nosso Salvador, O dia em que o mundo parou e uma vigorosa defesa da doutrina católica sobre o Limbo: Vá para o Limbo!

Revista Permanência - "Comentário sobre as duas Cidades", do Pe. Emmanuel, um clássico espiritual do séc. XIX. "O Discernimento dos Espíritos", regras práticas pelo dominicano  Garrigou-Lagrange.

São Tomás de Aquino: Concluímos as Meditações para o tempo da Quaresma. Ano que vem, esperamos iniciar o Tempo da Paixão.

Gustavo Corção: A Casa e A Volta para Casa, dois artigos sobre valores e vida familiar.
 

 LIVRARIA:

Nesse mês, aumentamos o catálogo de nossa livraria com dois novos títulos.

A Inocência do Padre Brown, G. K. Chesterton: A Sétimo Selo nos presenteou com um dos romances policiais do Pe. Brown, de autoria do genial G.K. Chesterton, um dos mais completos pensadores católicos do século XX. Basta lembrar que Chesterton foi um dos inspiradores da conversão de Gustavo Corção. Os conhecedores dos ensaios do escritor inglês não ficarão decepcionados com este romance policial, marcado pela inteligência e pela simplicidade na construção do drama.

A Natureza do Bem, Santo Agostinho: Santo Agostinho, bispo de Hipona, no norte da África, combateu os erros dos Maniqueus com diversos textos ricos em doutrina e erudição. Edição em latim-português.

Lembre-se: comprando livros você contribui com nosso trabalho!

 

MEDITAÇÃO DE PÁSCOA

As dependências da Capela N. Sra da Conceição estão cercadas de certo movimento, apesar da hora avançada. São duas horas da madrugada. Aqui ao lado, enquanto escrevo, as velas se agitam também com o vento fresco da noite, no altar do Repositório. Estamos em plena adoração do Santíssimo que segue a missa da Quinta-feira Santa, e que nos envolve em muitos mistérios e num mar de graças. Na última Ceia, Nosso Senhor celebrou pela primeira vez a Santa Missa, antecipando em um dia a realidade do seu Sacrifício Redentor, que será realizado na Cruz no dia seguinte, a Sexta-feira Santa. Fico observando as pessoas de joelhos, uma ou duas horas, rezando e fazendo companhia a Jesus no Horto das Oliveiras. Porque, ao sair do Cenáculo, Jesus encaminhou-se para o jardim de Getsêmani, onde sofreu a terrível agonia, suou sangue, sentiu todo o peso do seu martírio e das dores atrozes que o aguardavam no dia seguinte. E é também ali que nós queremos estar, ao passar algumas horas nesta sublime adoração.

Por outro lado, toda esta realidade de sofrimentos e angústias foi vivida no momento mesmo em que Nosso Senhor, tomando um segundo cálice, não previsto no ritual judaico da Páscoa, instaura a Nova Aliança no seu Sangue, tornando caduca toda a estrutura político-religiosa de Israel. Neste exato momento, oficialmente, pela autoridade divina de Cristo, desaparece a razão de ser daquela Aliança feita por Deus junto a Abraão, pela qual o povo hebreu devia preparar a vinda do Messias, do Salvador. "Sou eu, que vos falo" disse Jesus à Samaritana, junto ao poço de Jacó. Esta nova aliança e o desaparecimento da antiga será confirmada no dia seguinte quando, no exato momento em que Jesus morre, o véu do Templo rasga em dois, de alto a baixo, como descreveram os evangelistas. E aqui, mais uma vez, fica patente a relação entre a Quinta-feira e a Sexta-feira Santa.

Pois todas estas coisas estão acontecendo, liturgicamente, neste momento em que escrevo. Foi ali do lado, diante do Santíssimo, que me veio a idéia de lhes passar esta mistura de realidade mística da fé católica e da experiência inefável de estar com toda esta gente, varando a noite no silêncio e na meditação, joelhos por terra, contemplação, momentos depois de termos cantado a belíssima Missa deste dia Santo.

E eu penso no vazio deste mundo que já não é mais cristão. O que bem pode ser a Páscoa para toda essa gente? Quanta tristeza não poder estar presente e ligado a dois mil anos de ritos, doutrinas e história; estar unido a dois mil anos de infinitas graças distribuidas abundantemente ao longo dos séculos, correndo da Cruz sobre os corações, para formar, para forjar a mais bela civilização que o mundo jamais conheceu.

Não, eles não sabem nada, e vão se alegrar no domingo porque haverá chocolates e ovos de páscoa, depois de terem passado a Quaresma fazendo churrascos e vivendo mergulhado no mundo e no pecado. Quisera eu que dali daquele altar cheio de flores e de luz, saísse um raio que fosse tocando todos os corações, levantando-os, devolvendo-lhes a única dignidade que não poderiam ter perdido, a de serem filhos de Deus.

Amanhã recomeçamos. Às seis da manhã termina a nossa adoração. O altar lateral torna-se a Santa Reserva, onde iremos buscar as Sagradas Hóstias para a comunhão, depois de toda a cerimônia da Adoração da Cruz, com suas leituras, o canto solene e belíssimo da Paixão segundo São João, e toda a riqueza com que a Igreja canta o luto pela morte de Cristo. No sábado, depois da Bênção do Fogo Novo, que acende o Círio Pascal, do Anúncio da Ressurreição que é o canto do Exultet, da Bênção da Água Batismal, teremos a graça de conferir o Sacramento do Batismo a dois adultos para, em seguida, darmos início à Missa da Ressurreição.

Que a Luz de Cristo Ressuscitado ilumine a nossa "estrada de Jericó" onde os discípulos de Emaús encontraram Jesus.

A todos os nossos leitores e amigos desejamos uma Páscoa vivida na graça e na Luz.


 

 

Tempora mala sunt