Quer saber o que foram as Cruzadas? Não veja o filme!

Mais um ataque contra a Igreja Católica e a Civilização Ocidental, no filme "Cruzadas". Segundo o historiador Jonathan Riley-Smith, autor de  Short History of the Crusades (Pequena história das Cruzadas) o filme é um lixo cheio de imprecisões históricas. Por exemplo, apresenta os muçulmanos como pacíficos moradores da Palestina, cultos e inteligentes, enquanto os cristãos são pintados como bárbaros agressivos e assassinos.

Também, não é para menos. Há décadas, talvez há séculos que os católicos deixaram-se enganar, perderam sua identidade e já não conhecem mais a sua própria história.

Já não sabem mais, ou fingem não saber, que as Cruzadas só foram convocadas pelos papas e pelos santos porque os muçulmanos estavam matando os peregrinos que iam à Terra Santa pagar suas promessas e penitências. Era costume na Idade Média. O Santo Sepulcro, onde Nosso Senhor repousou morto por três dias, antes da Ressurreição era lugar de visitação freqüente e as cidades medievais se organizavam para isso. Só tomaram as armas por causa do fanatismo islâmico. Já imaginaram, São Bernardo, monge, santo, doutor da Igreja, pregando a segunda Cruzada nos jardins da abadia de Vezlay? Como pode ser isso se as Cruzadas fossem assassinas?

Homens de grande valor, tanto morais como espirituais, largaram suas terras, seus reinos e "tomaram a Cruz", como dizia-se, para liberar o caminho da piedade. Ricardo Coração de Leão, São Luiz de França, Godofredo de Bouillon, entre tantos outros heróis, padres e bispos, as mulheres que acompanhavam seus maridos muitas vezes, como a própria rainha da França, Margarida da Provença, esposa de São Luiz.

Seriam todos eles maus, cruéis, interesseiros nas coisas do comércio? A verdade histórica é que a grande maioria foi para a Terra Santa com graves prejuízos para sua vida de família ou para seu trabalho. Ricardo Coração de Leão foi obrigado a voltar às pressas porque seu irmão João sem Terra estava abusando do poder; São Luiz igualmente, recebeu carta da Rainha regente, sua mãe, Branca de Castela, pedindo que voltasse com pressa por causa de problemas políticos (são Luiz ficou ainda quatro anos na Palestina, sendo responsável por grandíssimos progressos para toda a região).

É falso também neste filme o pretenso bom entendimento que reinaria na região entre muçulmanos, judeus e cristãos, até que os ocidentais viriam estragar tudo. Ao contrário, os muçulmanos eram cruéis e matavam mulheres e camponeses indefesos. Raras vezes se viu, em todo o tempo das Cruzadas, gestos de grandeza, como o de Saladino que ofereceu a Ricardo Coração de Leão dois excelentes cavalos, em reconhecimento da bravura do Rei da Inglaterra durante o rude combate. Mas em geral, eles eram astutos e traiçoeiros.

Por outro lado, quando São Luiz foi feito prisioneiro, o califa deu ao Rei da França a escolha entre ficar ele como refém até o pagamento do resgate, ou ir ele de volta para a França e ficarem os demais senhores. E todos discutiam entre os cristãos, quando o califa perguntou ao intérprete: - estão brigando porque ninguém quer ficar como refém? A que respondeu o intérprete: - não senhor, estão brigando porque todos querem ficar! Não se pode ter vergonha do nome católico. Estes homens, esta guerra, foi um extremo remédio para um mal grave da época.

Mas então, tudo o que se diz nos atuais livros de história e em filmes como este atual são mentiras?  - Respondo que, como em todo empreendimento humano, existem elementos maus que atrapalham a santidade da causa. Homens sem escrúpulos, interesseiros, é verdade. Mas está longe de ser a essência das Cruzadas. Foram casos isolados que só serviram de pretexto para que a atual sociedade maçônica descarregasse contra a Igreja ataque mil vezes pior do que aquelas mortes que os muçulmanos causavam aos peregrinos. Um dia a verdade histórica será novamente proclamada, não somente sobre as Cruzadas, mas também sobre a Inquisição, outra obra reta da Santa Igreja levantada como estandarte dos nossos inimigos e que faz corar de vergonha aos católicos que já não sabem mais o que de fato aconteceu.

Enquanto não assistem a este filme mau, os pobres católicos manipulados vão lendo o "Código da Vinci" e achando que sabem muita coisa de história da Igreja!

Não vejam o filme porque é lixo histórico. Se quiserem saber no detalhe o que aconteceu, recomendo um livro moderno de um historiador inglês, W. B. Bartlett - História Ilustrada das Cruzadas - Ediouro, 2002 - não é um livro católico mas me parece buscar e documentar a verdade histórica.

Aproveito também para anunciar - ainda este ano a nossa Editora Permanência estará lançando, da consagrada autora francesa Régine Pernoud, A Idade Média contada a meus sobrinhos - contando grandes aventuras de grandes heróis medievais - entre os quais poderemos nos deliciar com o grandalhão e simpático Ricardo Coração de Leão, com o santo guerreiro, São Luiz, e outros, ligados às Cruzadas ou não. Aguardem!

Dom Lourenço Fleichman OSB

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