O assassinato de Roger Schutz

Um assassinato bárbaro cometido contra um ancião de 90 anos seria apenas mais uma das notícias violentas de cada dia. Mas esse ancião se chamava Roger Schutz e era fundador e superior de uma famosa comunidade protestante de Taizé (pronuncia-se Têzê). O local se tornou famoso nos anos 70 quando os católicos franceses e de países vizinhos passaram a freqüentá-lo, seguindo a onda ecumênica pós-Vaticano II. Já nos anos 60 participaram como convidados dos trabalhos durante o Concílio Vaticano II e, sobretudo, da elaboração da Missa de Paulo VI. Como para os protestantes a Igreja é algo de espiritual, sentiram-se pertencentes à Igreja devido às marcas de amizade e união demonstradas pelo papa e pelos cardeais. A lógica protestante não deixou de trazer seus frutos e um dos fundadores, Max Thurian, foi ordenado padre pelo Cardeal Ursi, em 3 de maio de 1987, sem qualquer compromisso com a fé católica, sem abjuração da heresia.

Decididamente os critérios da Roma de Vaticano II não são mais católicos. Todo esse ambiente criado pelo Ecumenismo, ambiente de muitos abraços, amizades emocionais, sensações de união e, principalmente, de diminuição das verdades de fé católica, estabelece situações curiosas e dolorosas: penso na beatificação de Madre Tereza de Calcutá. Por mais que sua obra seja admirável do ponto de vista natural, não se pode conceder as honras dos altares para uma religiosa que fazia questão de não batizar as crianças e adultos que morriam nas suas casas, vindos de outra religião. É incalculável o número de almas que foram para o inferno, de crianças privadas da visão beatífica por causa de tal negligência e de tão falso princípio, contrário ao mandamento de Nosso Senhor: "Ide, batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. O que crer e for batizado será salvo, o que não crer será condenado."

Assim também para a união de fraternidade com os protestantes de Taizé, em particular um pobre coitado que morre sem preparação, sem arrependimento, sem ter sido ajudado por tantos amigos da alta hierarquia, que tinham por obrigação alertá-lo sobre a necessidade da Igreja Católica para se alcançar o céu. Nossas orações vão no sentido de que Nosso Senhor lhe tenha dado a chance, nos segundos que teve, de aderir à verdade que, em toda sua vida, nunca aceitou.

Dom Lourenço Fleichman OSB

em 18 de agosto de 2005

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