29 de setembro  - 40 anos da Permanência

 

Dom Lourenço Fleichman OSB

 

Paira ainda, em nossas Capelas, o perfume dos dias santos que vivemos desde quarta-feira passada, quando recebemos oito padres para as comemorações dos 40 anos da nossa Permanência. A idéia inicial era trazer os padres da Tradição, da resistência católica, que trabalham no Brasil. Acontece que o Padre Jean-Marc Nély, 2º assistente de Dom Bernard Fellay, da Fraternidade São Pio X, estava nessa época, fazendo uma viagem por todo o Distrito da América do Sul, em companhia do superior do Distrito, o Padre Bouchacourt. E eles aceitaram o convite de vir até o Rio de Janeiro e Niterói participar desse encontro.

 

Na aurora, as missas privadas

Na quinta-feira, dia 25, passamos o dia reunidos em conversas e conferências, entre os padres. Fiz uma exposição sobre a Permanência, sua fundação, sua história, suas vocações, para que os novos padres que aqui trabalham tivessem certa noção de tudo que vivemos ao longo dessas quatro décadas. Em seguida, o Padre Jahir Britto de Souza, de Salvador, nos contou como foi fundada a sua comunidade de Irmãos da Familia Beatae Mariae Virginis, em 1969, para salvaguardar a fé, diante do turbilhão causado por Vaticano II. A espiritualidade mestra desta familia de Nossa Senhora é a noção de Estabilidade. Por aí vemos o quanto somos irmanados no combate, pois aquele que se agarra na Estabilidade da Fé para não cair, é o mesmo galho que Permanece unido ao tronco da videira, (S.Jo, XV) que é a inspiração do nome Permanência, como explicava Gustavo Corção.

 

Depois do Padre Jahir (na foto com Dom Lourenço), o Padre Luiz Cláudio Camargo, da Fraternidade S. Pio X, contou o que ele encontrou na Permanência quando aqui chegou, com 14 anos: a Missa no centro da vida daquelas famílias, o amor pela Igreja, presente em cada conversa e o sofrimento diante da crise, presente em cada olhar. O Padre Camargo descobriu naquelas pessoas a grandeza de Gustavo Corção, não porque todos vivessem de uma sentimental lembrança do mestre, mas porque em todos se descortinava o seu amor pela Igreja e pela doutrina da fé.

 

de pé - Padres Luiz Cláudio, Rodolfo, Jahir, Nely, Bouchacourt, Joel e Alejandro

Dom Lourenço com Dna Tereza Ferreira da Costa (mãe de D. Tomás) e Dna Anna Luiza Fleichman

 

No dia seguinte, sexta-feira 26 de setembro, fomos à Capela São Miguel, no Rio, voltando para Niterói após o almoço. Às 18:30 teve início a belíssima missa Solene que encantou a todos. O Rev. Pe. Nély foi o celebrante, tendo como diácono o Pe. Bouchacourt, sub-diácono o Pe. Alejandro Rivera (capela de S. Paulo) e cerimoniário o Pe. Rodolfo Eccard (capela de Sta Maria). Os padres Dom Lourenço e Luiz Cláudio Camargo (Capela de Sta Maria) cantaram o próprio, enquanto o côro da Capela N. Sra da Conceição cantou o belíssimo hino "O Heros", em honra de S. Miguel Arcanjo, entre outros.     

O celebrante benze o incenso no Intróito

 

Apesar de ser uma sexta-feira à tarde, a nossa igreja foi-se enchendo e logo já tinha todos os seus bancos ocupados. Terminada a Santa Missa, passamos para o salão, onde o Pe. Nely fez uma conferência sobre as relações da Fraternidade São Pio X com Roma, destacando-se as quatro declarações públicas feitas por Dom Marcel Lefebvre e Dom Antônio de Castro Mayer, numa primeira parte, e as relações mais recentes, na segunda parte. Esta conferência será em breve publicada no nosso site.

 

 

 

Como já de costume, o jantar que seguiu-se foi marcado pelo clima de serena alegria, de amizade,  e de boas conversas com todos esses padres.

Comecei dizendo que ainda paira no ar da nossa Capela o perfume desses dias em que ficou mais claro para nossos fiéis o que é a Igreja, como ela se manifesta no sacerdócio católico, nas missas e na Caridade que une a todos na Comunhão dos Santos. Dentro desse contexto, gostaria de deixar para vocês um pequeno trecho da conferência que o Pe. Jahir fez para os padres, na quinta-feira, dia 25.

"Nossa Senhora... como foi por meio dela que Deus nos deu a Estabilidade; por meio dela que Deus nos deu o Verbo... ele podia usar de muitas outras formas, mas não usou; se não usou é porque essa era  a melhor para nós. Não só por meio de uma  mulher, mas daquela mulher, que é a Virgem Maria. Então, N. Senhora tem um papel importantíssimo na catolicidade, de tal maneira que é como se não pudéssemos pensar em Jesus Cristo sem pensar em Nossa Senhora... É verdade que Nosso Senhor não escoheu Nossa Senhora para ser sacerdote, porque escolheu para ela uma coisa maior do que se pode imaginar. Ela gerou o sacerdócio. O que é o sacerdócio? A ponte entre Deus e os homens... Ego te absolvo... fez a ponte; ego te baptizo... fez a ponte. O que N. Senhora fez? Fez um Homem-Deus para sempre; humanidade e divindade coladas para todos os séculos dos séculos. Quem chegar ao céu vai olhar o homem e verá a Deus, vai olhar a Deus e vai ver o homem, por todos os séculos. Isso nunca mais vai desaparecer, ela gerou o sacerdócio, gerou a união do homem com Deus, em Jesus Cristo. Quando ela se realizou em Jesus Cristo, Deus rompeu, para sempre, a separação que o domônio tinha conseguido estabelecer no Paraíso... rompeu para sempre; não há mais separação. Resta só concretizar em cada homem.... "jesuar" a cada homem (desculpe o neologismo). Quem foi que fez isso? Quem o fez primeiro?... a Virgem Maria... foi ela quem fez isso. Então nós colocamos N. Senhora num lugar muito, muito particular... O Rosário para nós é tão importante que se um dia a Familia B.M.V. for reconhecida pela Santa Sé, eu gostaria que se permitisse que o Rosário seja aceito como parte do Ofício Divino. Não abro mão do Rosário em hipótese alguma. É um ato de submissão a N. Senhora, de entrega, que eu acho vital na Igreja de hoje. É vital! Quando N. Senhora apareceu em Lourdes, com o terço na mão, e em todas as aparições, mesmo quando ela não falava coisíssima nenhuma, a Santa rezava o terço, o que significava que aquela parte era suficiente para ela vir do céu e aparecer. O Rosário me parece fundamental."

 

Eis, portanto, como passamos o aniversário da nossa Permanência.  Seria impossível transmitir tudo o que foi dito e tudo o que foi ouvido nesses dias. Mais dificil ainda seria mostrar num site o que nos une no combate pela fé católica. Mas pedimos a nosso padroeiro, São Miguel Arcanjo, que nos preceda, espada em punho, vencedor do demônio e de seus anjos maus, na luta pelos direitos de Deus e de sua Igreja. E que reúna, nos quatro cantos da terra, este exército de almas combatentes que sofrem pela Igreja, para que estejamos todos unidos em um único sentimento, em Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

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